UM MUNDO SEM GRAÇA - O CORRETO QUE MATOU A PIADA.

Se o que você esta fazendo for engraçado, não há necessidade de ser engraçado para fazê-lo. - Charles Chaplin
Acabou. Hoje só amanhã. Não tem mais marmelada? Não, meu Senhor. Depois de assistir ao emocional tributo de Selton Mello para o Mundo do Circo (O Palhaço, 2011, não perca), me veio a ideia de que rir na atualidade é um remédio que só está a venda na sua forma mais genérica e diluída do escracho e do mau gosto.

O que sobrou, afinal? Humor político de tiradas supostamente inteligentes, humor de praça com personagens esteriotipados e de duplo sentido, humor de "zorra" que engravata o riso em esquetes de dança coreografada. Nas redes sociais, mais e mais tirinhas que forçam o limite do bom gosto com desenhos toscos e piadinhas de sorriso amarelo. Quem irá nos salvar? Chapolin Colorado? Os últimos Trapalhões? Espero que não.

O Sr. Correto (que é extremamente político e bem posicionado nas rodas sociais) continua trabalhando duro para que você ficasse revoltado de verdade. Através de seus amigos da mídia em geral, o Sr. Correto mostrou animais sendo torturados, crianças em estado terminal, políticos corruptos, velhinhos espancados e todo um circo de horrores. Caramba, fica difícil rir assim.

Neste picadeiro, o pobre palhaço virou símbolo do ignorante enganado por políticos corruptos e o nariz vermelho, um sinal da cegueira social. A última piada mortal do Sr. Correto foi despir o palhaço da sua profissão original: fazer rir de forma inocente, ingênua. Palhaço agora é ativista social. E o Coringa pergunta: Por que tão sério?
Quando eu era pequeno, meus pais descobriram que eu tinha tendências masoquistas. Aí passaram a me bater todo dia, para ver se eu parava com aquilo. - Woody Allen
Não se trata de ser saudosista porque o saudosismo pode te levar para um lugar muito mais chato chamado melancolia. Mas, para quem cresceu com Tom e Jerry e suas eternas provocações, Os Três Patetas (com direito a dedos nos olhos e socos na cabeça), Jerry Lewis e seu desengonçado jeito com as mulheres, Monty Python, Groucho Marx, Mel Brooks, Woody Allen, Peter Sellers, Costinha, Golias, Mussun e outros Mestres, a forma de se fazer humor hoje é realmente uma piada. Uma piada ruim. Xico Sá que nos salve e Chico Anysio que nos proteja. 
Através do humor nós vemos no que parece racional, o irracional; no que parece importante, o insignificante. Ele também desperta o nosso sentido de sobrevivência e preserva a nossa saúde mental. - Charles Chaplin
Os exemplos abaixo talvez representem uma memória distante para quem se esqueceu que fazer rir é bem mais difícil do que fazer chorar. O humor inteligente nunca é ofensivo, pelo contrário: ele expõe o ridículo do preconceito no preconceito, da diferença social no social, o "rir de si mesmo" de Chaplin, Brooks e Allen. Hora de dar novas risadas com o "velho e bom humor", que tal?
 Deus abençoe a todos palhaços.
Que estrelam o mundo com o riso,
Que tocam as alturas com brincadeira de vôo,
Que fazem o mundo girar alegre em seu caminho.

Deus abençoe a todos palhaços.
Tão pobre seria o mundo,
Carente de seu toque picante, hilaridade,
Da barriga risonha risos, do toque encantador.

Deus abençoe a todos palhaços. 

Dar-lhes uma longa vida boa,
Faça seu caminho brilhante - Eles são uma raça à parte!
Alquimistas que na maioria das vezes, transformam a dor de seus corações, em uma brincadeira deslumbrante para elevar o coração.
 

Deus abençoe a todos palhaços.
(Eulogy - Stan Laurel, o "Magro" da dupla)





















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Marcos H. de Oliveira Marcos H. de Oliveira é redator freelance de publicidade e propaganda e consumidor voraz de livros, música, cinema e arte. http://twitter.com/agentescreve
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O PEQUENO PRÍNCIPE - A PARÁBOLA EXISTENCIALISTA DE ANTOINE DE SAINT-EXPÉRY.


Tu não és para mim senão uma pessoa inteiramente igual a cem mil outras pessoas. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo... - Antoine de Saint-Exupéry

Para falar de uma obra como O Pequeno Príncipe, terei que lhe pedir que leia este artigo em um local silencioso, que tire seus sapatos, que esqueça dos problemas cotidianos, que desligue o telefone e fique o mais confortável possível. Terei que lhe pedir que entenda o que significa um ritual. Será que você consegue?

Antoine-Jean-Baptiste-Marie-Roger Foscolombe de Saint-Exupéry (1900 - 1944) sabia o que era um ritual. Como piloto cívil e militar, ele viu o mundo do ponto mais alto (céu/universo) e do local mais baixo (sua última tarefa foi recolher informação sobre os movimentos de tropas alemãs na Segunda Guerra Mundial e foi derrubado na noite de 31 de julho de 1944, aos 43 anos de idade). Saint-Exupéry pôde enxergar a existência humana nos seus piores e melhores momentos e isso é importante para entender o valor literário e filosófico de O Pequeno Príncipe.

Existencialismo é um termo aplicado a uma escola de filósofos dos séculos XIX e XX que, apesar de possuir profundas diferenças em termos de doutrinas, partilhavam a crença que o pensamento filosófico começa com o sujeito humano, não meramente o sujeito pensante, mas as suas ações, sentimentos e a vivência de um ser humano individual. No existencialismo, o ponto de partida do indivíduo é caracterizado pelo que se tem designado por "atitude existencial", ou uma sensação de desorientação e confusão face a um mundo aparentemente sem sentido e absurdo - Wikipédia

Apesar de não ter encontrado nenhuma referência direta do autor ao movimento existencialista, é quase impossível não perceber os tons de vida/morte, amigo/inimigo, sociedade/indivíduo presentes no texto (se você estiver consciente do que está lendo). Apenas algumas pessoas conseguem entender o sentido "ritual" de uma leitura, da conexão entre leitor/personagem/autor, o que é uma pena. Se você nunca experimentou uma relação assim com um livro, O Pequeno Príncipe é um ótimo ponto de partida.

Um ritual não é apenas aquilo que você repete todos os dias, isso é rotina. Um ritual representa um momento de conexão com algo fora do mundo comum e ordinário, algo que precisa ser visto com valor pelo que representa para você como pessoa e mais ninguém. Saint-Exupéry fornece uma linda explicação sobre o que significa o rito para personagem da Raposa que conversa com o menino/velho Príncipe (veja o vídeo abaixo).

A riqueza de simbolismo (rosa, vulcões, cobras, estrelas, reis) não são apenas alegorias da narrativa: são pistas simbólicas que escondem novas interpretações, que evoluem e se transformam de acordo com a idade e desenvolvimento pessoal de cada leitor. Reconhecer o símbolo significa estar dentro do ritual, conectando você a um entendimento mais profundo daquilo que te emociona, questiona, reflete. O Pequeno Príncipe não é para crianças: é para Criança dentro de você.

Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.

Clássicos como O Pequeno Príncipe precisam ser separados do joio dos livros comerciais de histórias açucaradas com frases-feitas de auto-ajuda ou Memes jogados nas Redes Sociais. Esta é uma obra que pede o seu respeito, um ritual. Convido você a tirar os sapatos e começar a sua leitura. Até a próxima.







Links:
O Pequeno Principe - Google Livros http://bit.ly/Lv6tvy
O Pequeno Príncipe - Tradução em Português por Vinna Mara Fonseca - http://www.cirac.org/VMF-principe-pt.htm
O Pequeno Príncipe - Pensador http://bit.ly/Lv75kX

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Marcos H. de Oliveira Marcos H. de Oliveira é redator freelance de publicidade e propaganda e consumidor voraz de livros, música, cinema e arte. http://twitter.com/agentescreve
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MAIS ESTRANHO QUE A FICÇÃO - COMÉDIA DE WILL FERRELL É FILME PRA "LER" E SE DIVERTIR.


Vou te contar o segredo menos bem guardado do mundo: existem vozes na sua cabeça. Vozes que fazem barulho, imitam sotaques, gritam e choram. Vozes que podem ser de uma mulher, de um velho ou mesmo de uma criança. Elas aparecem sempre que você lê um livro ou uma revista em quadrinhos. É o truque que o seu cérebro precisa fazer para que a imaginação aconteça, para que você viva a história e se interesse pelos personagens, sejam eles um garotinho aspirante a bruxo ou meninas apaixonadas por vampiros e lobisomens.

Como leitor, você se acostuma com estas vozes porque elas já estão totalmente incorporadas na descrição e nos atos do personagem. E se você deseja ser um escritor, redator, roteirista ou trabalhar com qualquer processo criativo que envolva linguagem, você vai precisar mesmo ouvir as vozes. Mais Estranho que a Ficção (Stranger than Fiction, 2006) pode ajudá-lo a fazer isso. Boa parte do mérito vai para o competente Marc Forster (que ressuscitou a franquia 007 com Quantum of Solace logo depois).

Eu não gosto do estilo cômico de Will Ferrell, mas o ator está contido para não ser o idiota exagerado de seus outros trabalhos e funciona muito bem no papel de Harold Crick, um funcionário da Receita Federal que passa a ouvir seus pensamentos como se fossem narrados por outra pessoa em cada ação. Ou seja, tornou-se um personagem da própria vida. E como você vai ver no trailer abaixo, a coisa fica pior. 

Mais Estranho que a Ficção é um filme para as vozes na sua cabeça, para sua criatividade e para quem gosta de sacadas inteligentes. Escritores amadores ou profissionais vão se identificar muito com a personagem de Emma Thompson ou mesmo de Dustin Hoffman. Acredito que você também vai gostar do final que dá uma escorregadinha na filosofia barata do livre-arbítrio mas não compromete o resultado.

Enfim, um filme para ser lido como um bom livro, leve e divertido. Aperte o play e boa leitura.


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CANTE COMIGO! LYRICS VIDEO E A NOVA FORMA DE VER MÚSICA.


Vejam só, este artigo não é sobre música. É sobre linguagem ou, para ser mais preciso, metalinguagem e um pouquinho de semiótica. Afinal, criativo que se preza, não esquece de usar estas duas ferramentas de brainstorm e raciocínio. E com música fica melhor ainda.

Na verdade, você nem precisa gostar do som. Lyrics Videos são clips musicais que transcrevem as letras com efeitos de animação. Simples assim, se não fosse a criatividade em torno da estética e da forma de apresentar as letras das músicas. 

Costumo usar os Lyrics Videos como imagem mental para criar títulos para campanhas, broadsides, roteiros, apresentações e tudo que precise de "movimento". Acho uma ideia tão boa que resolvi compartilhar com a galera do AGE que trabalha em Propaganda & Publicidade, Marketing e afins. Mesmo que você não seja da área, assista porque é bem legal.

Pronto. É isso. "Siga a bolinha branca", divirta-se e crie. Até mais.























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BLADE RUNNER - A OBRA-PRIMA DE RIDLEY SCOTT QUE AINDA PODE SURPREENDER VOCÊ.


"Se você apenas pudesse ver o que eu já vi", diz o icônico e futuramente legendário personagem de Rutger Hauer para Harrison "Deckard" Ford em Blade Runner - O Caçador de Androides (1982). E a história do cinema foi reescrita outra vez.

Todo cinéfilo tem seu filme preferido de ficção-científica em uma lista relativamente curta de cinco exemplos. No momento em que o reboot de O Vingador do Futuro (Total Recall, 2012) prepara sua estréia cheia de efeitos especiais de última geração e Ridley Scott planeja uma continuação sem Harrison Ford, escrever sobre Blade Runner parece uma boa. E necessário.


Necessário porque Blade Runner foi o primeiro filme inspirado nos livros do escritor piradão Philip K. Dick (1928- 1982) e a estréia da estética do diretor Ridley Scott com sua técnica de fotografia esfumaçada/estourada. Afinal, ele só havia dirigido dois filmes naquela época: Alien, O Oitavo Passageiro (1979) e Os Duelistas (1977).

Existem milhares de fansites que falam dos bastidores, da mistura dos gêneros Science-Ficton e Noir, das brigas do diretor com o estúdio, das diferentes versões e muito mais (veja os links). Tudo isso é muita coisa e eu prefiro "falar" para quem nunca viu o filme ou torce um pouco o nariz para ficção-científica.

Blade Runner é uma parábola sobre a vida. Mais precisamente sobre a qualidade de vida e as escolhas que fazemos quando ela é curta. É o caso dos "Replicantes", humanos aperfeiçoados que possuem apenas 4 anos de existência e depois "desligam". Eles brigam por mais tempo e por sentido. Os olhos dos Replicantes apresentam um brilho opaco sob a luz que denúncia sua "raça". Simbolicamente, se os olhos são o espelho da Alma, tudo que pode ser visto (por eles) é um vazio existencial. Para os Replicantes, a vida é uma contagem regressiva e, como nós, eles querem mais.


O futuro no cinema sempre apresentou esse sinal de alerta, essa distopia (utopia negativa) alarmante que nos avisa "vocês estão no caminho errado". Em Blade Runner e na Los Angeles de 2029, o erro é prestar atenção demais ao não-humano e ao próprio umbigo. Os Replicantes foram criados para o trabalho escravo e os prazeres carnais da classe dominante. Temos aqui, a semente óbvia da revolta, esperando por um líder que surge na pele sintética e carisma filosófico de Roy Batty (Rutger Hauer, no melhor desempenho de sua carreira). Aliás, você nunca vai ver uma atuação melhor de Sean Young ou de Daryl Hannah (Kill Bill: Vol. 2, não vale) em nenhum outro filme. Isso inclui Harrison Ford, acredite.

Antes que você pense que este artigo é de apenas um fã babando, selecione qualquer filme de ficção atual que envolva inteligência artificial, robôs, etc e compare com Blade Runner em estética e conceito. Eu ajudo: Os Coletores (Miguel Sapochnik, 2010), Substitutos (Jonathan Mostow, 2009), Eu, Robô (Alex Proyas, 2004) e A.I. Inteligência Artificial (Steven Spielberg, 2001), só para citar alguns. Todos eles beberam na fonte de Ridley Scott em vários sentidos. E eu nem te contei sobre a historia de amor...


...E nem vou contar. Blade Runner deve ser assistido com uma certa dose de mistério para quem nunca viu. É legal sentir todo o questionamento da época sobre vida e morte, tecnologia e sentimento, regras e valores, tudo muito atual e ainda fruto de discussão nas redes sociais, filmes e literatura. Se possível, assista a versão original. Com Blade Runner, Ridley Scott conseguiu tudo o que os Replicantes desejavam: a imortalidade da lembrança. Bom filme para todos.





Vangelis e a trilha sonora que marcou época.




Links:

Leia o primeiro capítulo em português: http://bit.ly/IOrIH8


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